quinta-feira, 29 de setembro de 2022

Um post mais alegrinho... Ou quase.

Terminei o último texto prometendo postar algo mais alegrinho e cá estou. Eu até gosto de um tom mais amargo, triste, gótico, mas gosto ainda mais de ser do contra. É legal você ser o sujeito triste, o "profeta da destruição", quando tudo está bem, mas quando as pessoas já se tocaram e o mundo está perdido, há de se trocar o personagem afim de escapar do clichê. Sem contar que "consolar os tristes" é uma das 7 obras de misericórdia espirituais. Contudo, como fazer isso sem soar falso? Quer dizer o mundo está em ruínas (metaforicamente falando), estamos caminhando para o anti-Cristo, a Igreja está uma bagunça, a política é uma farsa, os costumes contemporâneos são animalescos e esse texto já está adquirindo um tom fúnebre uma vez mais. Vamos por partes...

Minha Desgraça
Álvares de Azevedo

Minha desgraça não é ser poeta,
Nem na terra de amor não ter um eco,
E meu anjo de Deus, o meu planeta
Tratar-me como trata-se um boneco...
 
Não é andar de cotovelos rotos,
Ter duro como pedra o travesseiro...
Eu sei...
O mundo é um lodaçal perdido
Cujo sol (quem mo dera!) é o dinheiro...
 
Minha desgraça, ó cândida donzela,
O que faz que o meu peito blasfema,
É ter para escrever todo um poema
E não ter um vintém para uma vela.


Eu não tenho nenhuma solução para os problemas que afligem a civilização, mas talvez eu tenha alguma para os meus próprios problemas particulares. Meter o shape, assistir meus animes favoritos em uma TV de 52 polegadas com 2K e poder compreender os diálgos no idioma nativo sem o auxílio de legendas, vistiar o Japão, pedalar no Egito... cara esse tipo de coisa me deixaria felizão! Então, ao invés de lutar por causas perdidas, de militar politicamente para eleger algum mal menor, de ficar procurando a tradwaifu dos sonhos, cândida donzela - mais rara que um pokémon shiny nos jogos de GBA - para gerar filhos numerosos (que nem sei como sustentar e educar nesse mundo cada vez mais perverso e cruel) eu simplesmente estou correndo atrás de minhas próprias futilidades (claro que com a devida pruduência, pois não quero perder minha alma no processo). 

O problema da cultura contemporânea? Há anos que estou como que exilado da mesma: me mantenho longe da mídia mainstream, não assisto televisão e ignoro toda as produções ocidentais; minhas referêncais são animes com roteiros absurdos, combates empolgantes e garotas fofinhas. O problema da imoralidade da mulher contemporânea? Bom, se você for celibatário isso simplesmente não importa. O problema da doutrinação nas escolas? Não tenho filhos, isso não é problema meu. Sim, isso não resolve as coisas. O mundo não vai melhorar só porque eu deixei de me importar, mas esse é um modo de lidar com as coisas sem enlouquecer. Quando você não têm um vintém no bolso, as dores do mundo são tanto mais dolorosas, já com milão na carteira, o sol resplandece com mais brilho e vigor. 

Se você pode fazer algo para salvar o mundo, faça. Mas se não pode, divirta-se. Pelo menos tornar-se-há uma pessoa alegre de temperamento ameno e não um chato resmungão que só serve para deixar ainda mais pesada e depressiva a existência dos demais.



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