Uma de minhas alegrias ante o avanço da técnica é a superação do paradigma escolar. Não que minha experiência com a escola tenha sido de algum modo traumática, embora não a considere particularmente empolgante - tal qual como um anime slice of life - , foi em última instância uma grande perda de tempo. Além dos conteúdos ministrados sem convicção, tão somente para comprir o currículo elaborado por algum burocrata acadêmico, havia uma miríade inútil procedimentos institucionais e disciplinares, bem como e a velha doutrinação...Velha mesmo, quando jovem fui doutrinado nas idéias da velha esquerda, saí do colegial comunista, mas ainda abominava as ideias da nova esquerda, a saber: feminismo e gayzismo. Hoje parece que a doutrinação insiste nesse lixo pós-moderno e é tanto mais tóxica.
Quanto ao convîvio social, tive colegas com quem conversava no intervalo das aulas, mas tão somente isso. Não forjei no ambiente escolar nenhuma amizade profunda. Também não posso dizer que algum professor foi-me de sobremaneira inspirador. Fui um bom aluno, cumpri o currículo, peguei o diploma e fui embora. Completei o tedioso jogo da instrução formal. Minha experiência universitária não foi lá muito diferente.
Bem, a conclusão lógica é simples: se você não está mais em uma sala de
aula e pretende continuar estudando, só há uma saída: tornar-se mais
inteligente, ou seja, TORNAR-SE AUTODIDATA .
A rigor, se seu ciclo básico tivesse sido estruturado de maneira séria e inteligente, você já seria um autodidata. Afinal, a primordial finalidade da escola é, aos poucos, transformar o aluno em estudante, tornando-o um ser intelectualmente independente.
Isso seria o normal, o esperado por qualquer sistema que se proponha a preparar um jovem para ser plenamente autodidata. Infelizmente, estamos a muitos anos-luz desse objetivo.
Nosso sistema escolar é gerido por pessoas não só incompetentes, mas – e esse é o problema – completamente incapazes, elas próprias, de qualquer tipo de autodidatismo.
Toda vez que ouço uma dessas estranhas pedagocratas se vangloriar de ter feito não sei quantos cursos e ter obtido não sei quantos títulos, penso cá com meus botões: “Coitada, teve uma formação básica tão deficiente que agora foi obrigada a assistir a uma grande quantidade de aulas para aprender alguma coisa!”.
Consequentemente, nosso sistema educacional, submetido à ditadura intelectual de pedagocratas conservadoras, sequer ventilou a hipótese de o modelo autodidata não ser uma exceção, e sim a regra em nossas instituições de ensino!
- Pierluigi Piazzi, Inteligência em Concursos; p.06.
Meu despertar intelecutal de fato se deu através da internet. Aqui neste oceano de bytes tive contato com uma miríade de autores e temas, pude direcionar minha atenção a asssuntos verdadeiramente dignos de interesse, dispensar todo formalismo institucional, forjar amizades profundas, reais e duradouras.
Há gente fraca e medrosa com horror ante o autoditatismo e o caótico mundo da internet. Homens com consistência de geléia que precisam da ilusão de segurança proporcinada por um currículo acadêmico, uma hieraquia professoral e uma pretensa ortodoxia educativa nacional... Quem fiquem nas escolas e universidades, felizmente hoje o universo é tanto mais amplo que aquele mundinho provinciano institucional. Existe uma intelectualidade não acadêmica e um tesouro de sabedoria para para além daquele claustro de vaidade.
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Notas:
- 学校 [Gakkō] pode ser traduzido do japonês como escola. Pretendo grafar algumas palavras em nihongo neste blog por motivos meramente estéticos.
- Para animá-los a mergulhar no mundo da educação não institucional, resolvi criar um currículo digital listando minha formação online. Você pode ver os cursos que fiz aqui, aos poucos irei atualizando a lista.