domingo, 28 de agosto de 2022

Oriente? Interior? Metaverso? Para onde fugir quando do colapso da civilização ocidental?

Salvo se o leitor foi um quádrupede com a mente lavada pelo sistema estudantil e a mídia progressista, deve estar tão claro quanto o amanhacer que aquilo que chamamos de civilização ocidental não vai bem. O que começou como a gloriosa civilização cristã, fundada sobre a fé católica, o direito romano e a filosofia grega terminou se transformando numa nova Sodoma. As nações apostataram, rejeitaram os filósofos em favor dos sofistas e transformaram o direito numa loucura digna do desenho do Pica-Pau. E não é só ambiente institucional, a oficialidade, que vai mal; as próprias pessoas estão loucas, tanto que encontrar um bom casamento hoje é quase um privilégio aristocrático, a maioria dos rapazes tem de se contentar com mulheres de vida promíscua, largo passado sexual e personalidade insuportável. 

Como chegamos a essa situação? Não é esse o assunto deste texto, mas você pode ter uma ideia geral no livro Revolução e Contra Revolução de Plínio Corrêa de Oliveira.

Relaxe, não o estou convidando a uma cruzada pela salvação da civilização ocidental, a uma luta suicida onde as esperanças de vitória são quase nulas. Nada contra se quiser seguir esse caminho herói, mas eu quero aqui explorar outras perspectivas. Há como fugir da degeneração? Existe algum lugar no qual podemos nos refugiar e viver uma vida tranquila, longe das alegrias e das esperanças, das tristezas e das angústias dos homens de hoje? Três alternativas me vem a mente: o Oriente, o Interior e o Metaverso; onde poderemos nós encontrar o caminha para Pasárgada?

Vou-me embora pra Pasárgada
Manuel Bandeira


Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe - d’água.
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

Se a civilização ocidental vai mal, por que não tentar a oriental? É um racícionio até meio óbvio, não? Meus ancestrais vieram ao Novo Mundo fugindo de uma situação econômica e social incômoda em seus países de origem, buscaram uma nova pátria para recomeçar a vida e quatro ou cinco gerações aqui estou. Minhas raízes nestas terras tropicais não são assim tão profundas, não sou eu um pagão egípicio para o qual sua terra é o lar de seus deuses. Nosso Senhor Jesus Cristo pode ser adorado e glorificado em todas as nações. E, de fato, eu penso em ir fugir para a Ásia se as coisas se complicarem de sobremaneira, como no caso de uma guerra tal qual acontece na Ucrânia. Mas, não sejamos ingênuos: ninguém gosta de imigrantes. As coisas não deveriam ser assim, mas são.  Alguém de aparência física demasiado diversa e costumes exóticos não é bem quisto. No muito são tolerados, nunca amados. Só, quem sabe, a partir da terceira geração é que de fato há alguma integração naquele novo país. E, eí, eu ainda tenho um bom emprego e alguns familiares por aqui, salvo em uma situação desesperada, não devo partir para tão longe. 

Já que a vida de imigrante é complicada, porque não se mover no próprio país? Fugir para o interior uma cidadezinha ou até uma propiedade rural. Bom, eu já vivo mais ou menos assim. Moro em uma pacata cidadezinha esquecida no interior paulista, longe da agitação da metrópole. O ambiente é de fato tranquilo, mas isso não muda o fato de estar submetido a leis insanas e aqui dentro circular a cultura suja e pornográfica da sociedade ocidental. No interior ou na metrópole você as moças são feministas promíscuas e não virgens cristãs que vivem de maneira recatada e discreta e sonham com o futuro marido, no interior ou na metrópole as escolinhas do estado ensinam segundo a cartilha libertina da nova esquerda e educam as novas gerações para a degeneração. 

Uma vez que as perspetivas do mundo material não parecem lá muito simpáticas e se tentarmos uma solução mais futurista? O mundo digital, o metaverso, cyberland ou seja lá como queira chamá-lo. Acontece que o mundo digital não existe. Não é um lugar. A internet é apenas uma plataforma que conecta as pessoas,conversar, encontrar pessoas com ideias semelhantes, criar bolhas e grupos fechados, mas ainda assim, não temos um lugar onde podemos viver uma vida, criar comunidades autênticas, habitar fisicamente e criar nossas próprias leis. Se você não souber manejar bem a linguagem e controlar sua boca (ou seus dedos), poderá receber uma visitinha da polícia federal, ser preso ou perder o emprego por algo que fez em alguma rede social.

Em suma: Passágada não existe (e se existisse não seria um lugar muito decente), o mundo é um vale de lágrimas e seja qual for o caminho que escolher encontará encrenca.

Esse texto terminou um tanto quanto depressivo, mas é apenas o primeiro de uma série, nos próximos vou deixá-lo mais alegrinho (ou não). 

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