quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

Chá de ninfa?

Já é de noite no momento em que escrevo esse texto e até que o termine, creio que meu chá já esfriou. Dentre outras coisas, o chá de hortelã é recomendado para uma noite de sono tranquila, por suas propriedades calmantes. E este é justamente o tema desse texto: o chá ou mais especificamente a Hortelã.

Há uma antiga lenda grega que trata da origem desta planta: Minta ou Menta era uma ninfa que habitava no rio Cocito;  não uma ninfa qualquer, mas a mais bela de todas elas. Sua beleza era tamanha, que despertara a paixão de Hades, o rei dos mortos. Só que havia um probleminha... Nessa época Hades já era casado com Perséfone. Como os mitos gregos são uma servergonhice de fazer inveja a qualquer novela da Globo, Minta tornou-se amante de Hades e, não obstante, passou a gabar-se que este expulsaria a Perséfone e faria dela (Minta) sua esposa e rainha do submundo. É claro que a outra dona não gostou nada dessa história e ao descobrir o caso, amaldiçoou Minta transformando-a em uma planta: a menta[1]. Ou seja, esse cházinho que estou bebendo (ou infusão a depender de sua perspectiva teórica) um dia já foi uma bela waifuzinha que abalou o submundo. É claro que é apenas uma lenda boba, mas é divertido pensar a respeito, não? 

Voltando as propriedades medicinais do chá de hortelã (cujo nome científico é Mentha×piperita): ele é excelente no alívio dos gases intestinais, pois ele aumenta a secreção do suco digestivo e, com isso, reduz as contrações musculares estomacais. Sendo indicado para combater o inchaço e a flatulência. Outro uso interessante da erva é no alívio de náuseas e enjoos, justamente graças as propriedades que aliviam as contrações do estômago.  Li ainda que a hortelã é uma erva rica em antioxidantes, que ajudam a proteger e reparar as células dos danos causados por radicais livres[2], embora eu realmente não entenda nada disso... Ah, e minha avó dizia que era bom para gripe também! 

Seja como for, se a mitologia e a medicina não forem bons argumentos, saiba que o sabor da bebida é agradável e com um pouco de mel fica melhor ainda.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Heróis



4ª Semana do Advento | Segunda-feira
Primeira Leitura (Jz 13,2-7.24-25a)
Responsório Sl 70(71),3-4a.5-6ab.16-17 (R. cf. 8a)
Evangelho (Lc 1,5-25)

A liturgia de hoje narra o nascimento milagroso de dois heróis bíblicos: Sansão e João Batista. Ambos tiveram seu nascimento anunciado pelo anjo, ambos nascidos de mães estéreis. A Sansão coube libertar Israel das mãos dos filisteus, a João Batista foi dada a missão de pregar a penitência e a conversão as restos de Israel e preparar a vinda do Messias.

Embora, de fato, todos os homens são chamados a santidade e pela graça de Deus podem realizar obras admiráveis, alguns são especiais: nascem com um destino particular, uma missão; e da fidelidade dos mesmos a tal missão depende a salvação de muitos. Os antigos gregos, ainda que enebriados nas trevas do paganismo, tinham certa intuição a respeito desta realidade: Aquiles e Hércules - heróis de suas histórias - não eram simples humanos, mas semideuses. Os homens são escravos do destino, só com uma força de origem divina é que alguns podem como que transcender as possibilidades humanas e realizar obras grandiosas.

Rezemos para que o Senhor envie ao mundo heróis como Sansão e São João Batista. Gente feita como de que um barro especial, pois a situação em que nos metemos não pode ser superada por homens comuns. 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Quebra de Monopólio



A única coisa que eu explícita e estrategicamente gostaria de impor é a fragmentação. - Nick Land

Por trás de meu entusiasmo ante o Oriente não há, pois, profundas razões históricas, sociológicas ou metafísicas, mas tão somente certo deleite estético e sobretudo um princípio básico da economia capitalista: a livre-concorrência. O Oriente se ergue como uma civilização alternativa ao Ocidente, um lugar com usos e costumes diversos, com um estilo próprio e influenciado por outros grupos de poder. De certo modo o mesmo se pode dizer da idealização que fazem os metropolitanos da vida interiorana, ou mesmo nossa nostalgia em relação ao passado, à outras eras e outras civilizações. Basciamente não se suporta mais vida nesta nova Sodoma, então, porque não recorrer a concorrência? Ainda que não haja uma migração de fato, o ter em vista outra perspectiva torna a vida mais leve e ajuda a preservar a sanidade. Imagine o quão angustiante seria viver sem alternativas, obrigado a suportar algo que lhe desagrade? Por isso eu considero a luta pela unidade uma das causas mais vis e perversas a qual alguém possa aderir e a fragmentação a mais nobre das batalhas. Sem entrar em devaneios metafísicos que possoam soar heréticos, sem transformar princípios em fetiches - imperativos kantianos - que venham a bagunçar tudo, mas falando de realidade humana concreta: unidade significa monopólio.


O Estado e suas instituições (escola e universidades) não devem ter o monopólio da educação. O Ocidente não deve ter o monopólio dos valores civilizaconais. As bigtechs não devem ter o monopólio do domínio da técnica. Não deve haver monopólios e consenso universal nem mesmo na ciência. O único monopólio lícito é o da Igreja, esta de fato tem o monopólio da salvação, mas ainda assim ela abriga em seu seio uma variedade imensa de grupos, perspectivas e estilos de se professar e viver a fé. Voltando as realidades profanas: Holywood não deve ter o monopólio do entretenimento, as mulheres ocidentais (sobretudo as feias e rodadas) não devem ter o monopólio sobre o destino dos homens ocidentais (o que não significa que eu esteja a defender coisas abomináveis como o pecado contra a natureza, mas sim o ir procurar sua esposinha no oriente ou viver o celibato). Enfim, você já entendeu o espírito, não? Quebrar monopólios e impulsionar alternativas, isso torna o mundo um lugar mais divertido, abre uma rota de fuga para escaparmos da escravidão moderna. Não deixemos que eles terminem Torre de Babel!

Ora toda terra tinha uma só língua e um mesmo modo de falar. Mas (os homens), tendo partido do oriente encontraram uma planíce na terra de Sennar e habitaram nela. Disseram uns para os outros: vinde, façamos tijolos e cozamo-los no fogo. E serviram-se de tijolos em vez de pedras, e de betume em vez de argamassa. Disseram ainda: vinde façamos para nós uma cidade e uma torre, cujo cimo chegue até ao céu, e tornemos célebre o nosso nome, antes que nos espalhemos por toda terra, O Senhor, porém, desceu a ver a cidade e a torre, que os filhos dos homens edificavam, e disse: eis que são um só povo e têm todos a mesma língua; começaram a fazer esta obra, e não desestirão do seu intento, até que a tenham de todo executado. Vamos, pois, desçamos e confundamos de tal sorte a sua linguagem, que um não compreenda a palavra do outro. Assim o Senhor os dispersou daquele lugar por todos os países da terra, e cessaram de edificar a cidade. Por isso, lhe foi posto o nome de Babel, porque ái foi confundida a linguagem de toda a terra, e daí os espalhou o Senhor por todas as regiões. (Gn 11,1-9)