Vou-me embora pra PasárgadaManuel BandeiraVou-me embora pra PasárgadaLá sou amigo do reiLá tenho a mulher que eu queroNa cama que escolhereiVou-me embora pra PasárgadaVou-me embora pra PasárgadaAqui eu não sou felizLá a existência é uma aventuraDe tal modo inconseqüenteQue Joana a Louca de EspanhaRainha e falsa dementeVem a ser contraparenteDa nora que nunca tiveE como farei ginásticaAndarei de bicicletaMontarei em burro braboSubirei no pau-de-seboTomarei banhos de mar!E quando estiver cansadoDeito na beira do rioMando chamar a mãe - d’água.Pra me contar as históriasQue no tempo de eu meninoRosa vinha me contarVou-me embora pra PasárgadaEm Pasárgada tem tudoÉ outra civilizaçãoTem um processo seguroDe impedir a concepçãoTem telefone automáticoTem alcalóide à vontadeTem prostitutas bonitasPara a gente namorarE quando eu estiver mais tristeMas triste de não ter jeitoQuando de noite me derVontade de me matar- Lá sou amigo do rei -Terei a mulher que eu queroNa cama que escolhereiVou-me embora pra Pasárgada.
Se a civilização ocidental vai mal, por que não tentar a oriental? É um racícionio até meio óbvio, não? Meus ancestrais vieram ao Novo Mundo fugindo de uma situação econômica e social incômoda em seus países de origem, buscaram uma nova pátria para recomeçar a vida e quatro ou cinco gerações aqui estou. Minhas raízes nestas terras tropicais não são assim tão profundas, não sou eu um pagão egípicio para o qual sua terra é o lar de seus deuses. Nosso Senhor Jesus Cristo pode ser adorado e glorificado em todas as nações. E, de fato, eu penso em ir fugir para a Ásia se as coisas se complicarem de sobremaneira, como no caso de uma guerra tal qual acontece na Ucrânia. Mas, não sejamos ingênuos: ninguém gosta de imigrantes. As coisas não deveriam ser assim, mas são. Alguém de aparência física demasiado diversa e costumes exóticos não é bem quisto. No muito são tolerados, nunca amados. Só, quem sabe, a partir da terceira geração é que de fato há alguma integração naquele novo país. E, eí, eu ainda tenho um bom emprego e alguns familiares por aqui, salvo em uma situação desesperada, não devo partir para tão longe.
Já que a vida de imigrante é complicada, porque não se mover no próprio país? Fugir para o interior uma cidadezinha ou até uma propiedade rural. Bom, eu já vivo mais ou menos assim. Moro em uma pacata cidadezinha esquecida no interior paulista, longe da agitação da metrópole. O ambiente é de fato tranquilo, mas isso não muda o fato de estar submetido a leis insanas e aqui dentro circular a cultura suja e pornográfica da sociedade ocidental. No interior ou na metrópole você as moças são feministas promíscuas e não virgens cristãs que vivem de maneira recatada e discreta e sonham com o futuro marido, no interior ou na metrópole as escolinhas do estado ensinam segundo a cartilha libertina da nova esquerda e educam as novas gerações para a degeneração.
Em suma: Passágada não existe (e se existisse não seria um lugar muito decente), o mundo é um vale de lágrimas e seja qual for o caminho que escolher encontará encrenca.
Esse texto terminou um tanto quanto depressivo, mas é apenas o primeiro de uma série, nos próximos vou deixá-lo mais alegrinho (ou não).

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